Ministro de louvor, Michael Gungor

Famoso cantor evangélico causa rebuliço entre evangélicos ao afirmar que não crê na narrativa de Gênesis

Gospel Notícias

A narrativa de Gênesis a respeito da criação continua rendendo polêmicas no mundo evangélico, e a afirmação de um famoso ministro de louvor de que não crê mais que o livro seja literal tem causado grande burburinho nos Estados Unidos.

Ministro de louvor, Michael Gungor
Ministro de louvor, Michael Gungor

Michael Gungor, filho do pastor e escritor Ed Gungor, escreveu em seu blog que passou a acreditar que o relato sobre a criação que há Gênesis é apenas figurativo.

“Eu acho que eu vou ter que sair do armário e confessar: eu não acredito literalmente em uma criação de seis dias. Em minha escola cristã, durante o meu crescimento, nós todos bufávamos e ríamos se um cientista em um documentário mencionasse a evolução ou falasse sobre como determinado tipo de animal tinha existido há milhões de anos. Mas agora que sou um compositor, eu vejo tudo isso como um grande absurdo. Gênesis é um poema”, escreveu o ministro de louvor.

Michael e sua esposa, Lisa, fundaram a comunidade Bloom em 2006, na cidade de Denver, e se tornaram conhecidos nos Estados Unidos pelos muitos prêmios musicais (incluindo Dove Awards e indicações para o Grammy) conquistados junto com o ministério.

Num artigo anterior, o músico já havia comparado a narrativa do Gênesis às estórias de Papai Noel, e descrito a si mesmo como “incapaz” de crer literalmente no que o livro afirmava não somente em relação à criação, mas também sobre o primeiro casal de seres humanos.

“Eu não tenho mais capacidade de acreditar, por exemplo, que as primeiras pessoas na terra eram um casal chamado Adão e Eva, que viveram há 6.000 anos. Eu não tenho capacidade de acreditar que houve uma inundação que cobriu todas as montanhas mais altas do mundo apenas 4.000 anos atrás e que todas as espécies de animais que existem hoje estão aqui porque foram conservadas em uma arca e, em seguida, de alguma forma andaram ou voaram por todo o mundo a partir de uma montanha no Oriente Médio, depois que a água secou […] Eu não tenho mais capacidade de acreditar nessas coisas. É mais forte que acreditar em Papai Noel ou não acreditar na gravidade. Mas eu tenho uma escolha a fazer com essas descrenças. Eu poderia jogar fora essas histórias como mentiras, ou eu poderia tentar encontrar algum valor nelas, como histórias”, publicou.

A repercussão das afirmações mostrou que o público anda dividido quanto a isso: “Maravilhoso! Eu acho que é imperativo que nós nos lembremos de que a Bíblia foi inspirada por Deus, mas escrita por mãos humanas, tentando entender a vida, assim como nós somos hoje”, escreveu um internauta, expressando sua aprovação ao raciocínio do músico.

Já quem discordou da visão de Michael Gungor sobre a “poesia” em Genesis, afirmou que essa linha de raciocínio poria em cheque toda a crença dos Evangelhos: “A queda do homem e a morte/ressurreição de Cristo têm tudo a ver um com o outro. Se Genesis é um poema (não literal), em seguida, o Evangelho poderia muito bem ser, também”, argumentou outro usuário do Facebook.