segunda-feira, 16 setembro , 2019
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Solidariedade - Amarás ao teu próximo como a ti mesmo

Solidariedade

Há uma versão sobre o comportamento de judeus e muçulmanos em relação às atividades comerciais desenvolvidas por eles, e o modo como conseguem sustentar seu comércio, a ponto de crescer. Essa versão indica que judeu compra de judeu, e mulçumano de mulçumano. Desta maneira, mesmo que o preço de alguma mercadoria seja maior que a concorrência, o judeu ou mulçumano dará preferência ao seu igual.

O que isso tem a ver com solidariedade? Alguém pode fazer essa pergunta. E a resposta virá: Essas pessoas usam esse expediente para se ajudarem mutuamente. Isso é solidariedade, mesmo que restrita! Eles são solidários entre si, cuidam uns dos outros, amparam uns aos outros. Outros grupos procedem assim também, e não podemos dizer que estejam errados. São solidários, sim, embora num microcosmo.

Como o cristianismo não é um microcosmo, e não tem visão microscópica, o ensino veiculado nos Evangelhos é de que a solidariedade não é exclusiva nem restrita, sequer segregadora. Por isso, a resposta de Jesus ao doutor da lei do texto de Lucas 10 é o conto de uma parábola que visa ensinar a todos os ouvintes, um auditório eclético. Quando se pensa em solidariedade, cumpre-se a Lei de Ouro: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas” (Mateus 7.12).

1 – A auto-concepção

Amarás ao teu próximo como a ti mesmo” (Lucas 7:27).

Um dos grandes problemas do ser humano é a ignorância de si mesmo. Boa parte das pessoas tem problemas de auto-aceitação. Vive com complexos os mais variados, desenvolvendo neuroses e até esquizofrenias. Enche os consultórios dos psicólogos e psicanalistas. Vive com baixa auto-estima, criando mundos de fantasia em torno de si para desviar o foco de atenção do real problema: falta de amor próprio.

O mandamento tem uma condição: “Como a ti mesmo”. Talvez seja por isso que temos tanta dificuldade em relação ao cumprimento dele. As pessoas estão sempre na defensiva. Tentando se proteger, atacam. Usam com maestria o ensino de Jesus: “Ser prudente como a serpente.” No mundo atual, esta é a palavra de ordem: Atacar para se defender. Veja o argumento de George W. Bush, Presidente dos Estados Unidos da América, para atacar e invadir o Iraque.

Contudo, é imprescindível que o indivíduo se auto-conheça para ter condições de conhecer o outro. Num casamento, o que se espera é que o casal se conheça cada vez mais ao longo do período de matrimônio. Mas, se um dos dois não se conhece como precisa, fica inviável conhecer o outro, porque não se controlará quando as divergências surgirem. Talvez por isso, muitos casais têm dificuldades de permanecer juntos, se escorando no argumento de que são incompatíveis no relacionamento. O universo do casamento é exemplo para que tenhamos uma amostragem quanto ao universo maior que é a sociedade. A falta de auto-conhecimento pelas pessoas num universo como o casamento deflagra reações antagônicas, e desenvolve rupturas entre elas, causando as maiores distâncias. Quando se tem filhos, estes podem servir de ponto de convergência para que o casal se relacione, mesmo que seja em favor dos filhos.

À luz do casamento, onde muitas coisas são decididas politicamente, interesses pessoais são colocados à prova a cada instante, é possível estabelecer um comportamento identificador para o universo maior, sociedade (pluralista, como ela só!). Em países como o Brasil com população miscigenada, tanto nas raças como nas culturas (inclusive a religião), cumpre que a igreja participe desse processo de solidariedade. Ela precisa estimular os seus componentes a se auto-conhecerem, descobrindo suas dificuldades em relação a si mesmos, a fim de que busquem ajuda, seja no auxílio pastoral ou em profissionais especializados, tornando-se saudáveis emocionalmente, em condições de se solidarizarem de maneira plena.

2 – A concepção do outro

Perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?” (Lucas 7:29).

A grande dificuldade seguinte é a concepção do outro. Neste universo que a cada dia nos isola, devido às circunstâncias rotineiras na busca da plenitude do sucesso individual, o outro é nosso “inferno” (como dizia Sartre). O outro é nosso rival, concorrente, adversário, inimigo, algoz, etc É preciso ter muito cuidado com o outro, pois a qualquer momento ele poderá tomar o que é nosso.

Uma história hindu fala do tipo de imagem que se tem do outro. Ao longe, quando olhamos um vulto ele nos parece um monstro, porque não definimos sua dimensão. Quando tal vulto se aproxima um pouco mais identificamos uma pessoa, mas completamente estranha. Quando, então, tal pessoa se aproxima mais, descobrimos que é nosso irmão. A questão básica está na aproximação. O estreitamento da distância é o grande desafio na concepção do outro.
Novamente, precisamos usar a família como exemplo nesse tópico. Há pessoas dentro das famílias que são verdadeiros estranhos no interior de suas casas. A única convergência é a habitação, o endereço. Não há sequer um espaço para uma saudação como um simples “bom dia”. Sejam pais ou filhos, não importa a classificação familiar, há casos como esse, ocorrendo dentro das nossas igrejas. É possível que tal membro da família seja mais solidário com seus colegas do que propriamente com os de sua família de sangue.

O próximo do interlocutor de Jesus poderia ser qualquer um desde que fosse da sua classe social, que lhe pudesse retribuir os seus favores, que lhe oportunizasse vantagens para crescimento material intelectual ou político. Tal personagem pode ser encontrado assentado nos bancos ou cadeiras até de nossos templos.

A solidariedade é inerente aos crentes em Jesus, pois, ao reconhecerem o que ele fez, cumpre que sigam seu exemplo. Portanto, ao conceber o outro, o seguidor de Jesus faz como ele fez. Viu no outro a precisão de si mesmo, para que este encontrasse a possibilidade de auto-realização. Sem discriminação, segregação, acepção, se fez servo dos servos para que estes reconhecessem o Senhor dos senhores. Estreitou a distância entre nós (os necessitados de sua salvação) e Deus (fonte da salvação), através da sua obra salvífica, não levando em consideração suas perdas.

Por conseguinte, o personagem da parábola (o samaritano) exemplifica o ensino e prática do Mestre Jesus. O alvo de sua solidariedade é o homem anônimo, desconhecido, desvalido, sem perspectiva de futuro, defraudado pela ação da crueldade egoísta, abandonado e rejeitado pelo sistema social e religioso, entregue à própria sorte. O quadro não é diferente do que vemos todos os dias nas ruas de nossas cidades. A concepção do outro passa pela concepção de si mesmo ao se ver no espelho diariamente, e notar que o tempo muda a aparência outrora jovial, onde a pele era sem rugas, sem estrias, sem cardos e abrolhos. Ver o outro como semelhante é por conseqüência ver a si mesmo como alvo de sua própria solidariedade.

3 – A solidariedade em si

“Certo homem… salteadores… roubarem… causarem ferimentos… retiraram-se… sacerdote… vendo-o, passou de largo… levita, vendo-o, também passou de largo… certo samaritano… vendo-o, compadeceu-se dele” (vv. 30-33).
Todas as vezes em que alguém se depara com esta parábola, o personagem do samaritano é elogiadíssimo. É a figura exemplar de uma compaixão a toda a prova. Os outros personagens são de outras políticas. Os salteadores são da filosofia política do tudo que é seu é meu. O sacerdote e o levita são da filosofia política do tudo que é meu é meu. Mas, o samaritano tem uma filosofia política estranha aos outros e a muitos que conhecemos (como nós mesmos!): Tudo o que é meu, é seu também.
A solidariedade enxerga a necessidade do outro, e procura de todas as formas eliminá-la. Temos exemplos notórios em nosso país de pessoas, instituições, igrejas e outras entidades, que se mobilizam no afã de ajudar milhares de pessoas em estado de calamidade. As igrejas evangélicas ao longo de sua história têm contribuído para que muitas famílias sejam assistidas nas suas necessidades básicas. Há igrejas que mantém um regular programa de assistência social com recursos da própria comunidade que frequenta os seus cultos. Há igrejas que expandem sua área de atuação, construindo até casas para famílias carentes, promovendo-lhes a dignidade de terem um teto sobre suas cabeças. Programas sociais se desenvolvem cada vez mais em nossas igrejas, embora isso não seja alvo da mídia, por enquanto.

A igreja de Jerusalém, imortalizada no registro de Lucas nos Atos dos Apóstolos, figura entre os movimentos que deram aspectos concretos ao ensino de Jesus. Mesmo que tenha sido por pouco tempo, serviu para indicar que o ensino do Mestre é exequível em qualquer época. Rosa de Luxemburgo, defensora da filosofia marxista, usou a experiência da Igreja de Jerusalém, interpretando-a como um movimento comunista primitivo. Salvaguardando todas as proporções, é importante ressaltar que os mais variados movimentos de solidariedade têm nas Escrituras Sagradas a fonte para fundamentar seus princípios.

Mais do que nunca, as igrejas precisam resgatar esta condição de praticar os ensinos do Mestre com precisão e eficácia. Elas têm uma função social da qual não podem se omitir nem se esconder. Embora se cobre muito, e com a devida razão, do poder público para minorar as carências da população, ele não tem condições de atender muitos casos que precisam da sensibilidade das igrejas, seguidoras dos ensinos do Mestre Jesus.

Conclusão

Você conhece a estória sobre o incêndio na floresta? Não! Então vamos a ela, O marcante nessa estória é exatamente a postura do menor dos animais: o beija-flor. Ele voava, indo ao riacho para pegar água para apagar o incêndio, enquanto os demais corriam, fugindo do fogo. O diálogo do elefante com o beija-flor arremete ao descalabro da desproporção:

Elefante – Por que você voa na direção do fogo?
Beija-flor – Estou levando no bico um pouco de água para apagar o incêndio.
Elefante – Mas um pouquinho de água, você acha que vai apagar o fogo?
Beija-flor – Não sei, mas estou fazendo a minha parte.
É preciso ter em mente que todos estamos no mesmo planeta, dependemos uns dos outros, e um pouco mais de solidariedade não faz mal a ninguém, principalmente às igrejas que crêem em Jesus Cristo.

Para Pensar e Agir

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Sobre Ministério Heresia Tô Fora!

Ministério Heresia Tô Fora!
O ministério Heresia Tô Fora, no inicio era uma coluna no jornal O Resgate, mas as dúvidas enviadas pelo e-mail foram tantas que senti a necessidade de criar um site e um centro de estudos que funciona desde 1994, nosso ministério é paraeclesiástico e interdenominacional que promove a fé cristã mediante a produção de pesquisas e informações religiosas. Nossos objetivos são informar, ensinar e equipar os cristãos sobre as verdades do cristianismo bíblico. Visa atender à igreja em suas necessidades, oferecendo uma parceria qualificada na área da Apologética Cristã.

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