segunda-feira, 16 setembro , 2019
Últimas Notícias
Capa / Estudos / Apologéticos / A falsa visão missionária das igrejas
A falsa visão missionária das igrejas
A falsa visão missionária das igrejas

A falsa visão missionária das igrejas


Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos… Ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado” (Mateus 28:19,20 – KJV).

A igreja evangélica brasileira em geral está levantando uma geração com a visão missionária totalmente deturpada e sem vida. Há anos que estamos presenciando as miseráveis comunidades cristãs mais preocupadas com o luxo local e o orgulho carnal de seus feitos, do que com o Campo missionário e a essência da existência da Igreja. O IDE de Jesus foi jogado no lixo e trocado pelas festas dos sábados movimentados, juntamente com as contribuições missionárias que perderam sua posição para as lanchonetes e pizzarias visitadas pelos crentes ao fim da liturgia, e, pelo “culto” da visão particularizada e interesseira. Lamento dizer, mas gastamos muito mais com os hambúrgueres, refrigerantes, sorvetes e as pizzas do que com a Obra Missionária. Com isso, declaramos que os maiores desafios missionários não estão nos Campos como pensam alguns, mas dentro de nossas próprias igrejas, pois é um grande desafio conscientizar o nosso povo de que esse emocionalismo barato, dentro de quatro paredes que vivemos, nada acrescenta na expansão do Reino de Cristo. Os maiores desafios estão em nossas igrejas porque temos de conscientizar os crentes que a verdadeira identidade do Corpo de Cristo na terra é de uma igreja genuinamente missionária. Uma parte dessa “igreja” que se apresenta hodierno como parasita para com as missões, não é a Igreja de Cristo, que possui características visivelmente bíblicas, mas uma mórbida instituição contaminada pela podridão de seus desvios doutrinários, parecendo mais o vômito do Romanismo do século XV, cujo comportamento causou a reação dos Reformadores da Obra Missionária no século seguinte.

Mas o pior não é isso ainda! Tudo que mencionei tem uma causa, uma raiz. Trata-se da sínica e falsa preocupação de alguns líderes evangélicos, que em seus “púlpitos”, fingem gostar de missões, abjurando ocultamente a Bíblia, levando o povo inocente e desinformado a acreditar que suas ações são a eficácia missionária. Líderes mentirosos, enganadores, amantes do dinheiro e do bel prazer, adúlteros da Palavra, intoxicados pelos holofotes do EGO, ratazanas que com o magneto espiritual de suas ações levam crentes ao caminho da obscuridade e do abismo. Esses não possuem a coragem de enxergar sua própria decadência espiritual e vazio interior para com a Obra das Missões, mas julgam-se os melhores e apenas apontam o erro alheio, que fica a mercê de suas conclusões bíblicas diabólicas. Vivem para o carro de luxo, para a linda casa, para o expressivo salário, comem do bom e melhor, com a abastança vinda dos bolsos dos mais humildes e daqueles que caem no sujo golpe do “abençoar a obra”, onde na verdade deveriam no mínimo abençoar o Campo missionário além de tudo, para que mais e mais almas sejam alcançadas. Mas temos vistos esses líderes caírem, pois Deus é assim mesmo, uma hora quer acertar as contas, cumprindo a Palavra que diz: “Tudo que o homem semear isso também colherá” (Gálatas 6:7). Enquanto isso, o abnegado missionário em sua honrosa função, obedecendo ao IDE de Cristo, vence os desafios de ganhar almas, mesmo com sua humilde casa, seu salário apertado, sua simples alimentação e muitas vezes até esquecido. Mas com a certeza de que a missão deixada por Jesus como responsabilidades aos salvos está sendo cumprida. Essa é a verdadeira Igreja de Cristo, que ao mesmo tempo em que se encontra nos grandes Centros, não busca o conforto e conformismo que lhe cerca, mas consegue alcançar os mais distantes locais, vencendo todos os grandes desafios, principalmente o de amar ao Rei acima de todas as coisas.

Mas nosso problema com a falsa visão missionária das igrejas gerada por seus líderes não pára por aí. Como se não bastasse tudo isso, ainda temos que conviver com os falsos intérpretes da Bíblia, quanto aos versículos bíblicos missiológicos. Quando estive na Região Amazônica há alguns anos, num estágio missionário (assim como fui missionário no extremo sul da Bahia, parte do Nordeste e Norte do Estado do Espírito Santo – Pedro Canário e São Mateus), um irmão me relatou que quando estivera aqui no Sudeste, ouviu um pregador dizer que não deveríamos ir em busca das almas distantes, pois temos que evangelizar primeiro nosso visinho, nossa rua e bairro e depois a nação e o mundo. Isso usando como referência o registro de Atos 1:8.

Mas vamos a real interpretação do texto quando diz: “Contudo, recebereis poder quando o Espírito Santo descer sobre vós, e sereis minhas testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1:8 – KJV). O texto não diz “primeiro em Jerusalém”, mas “tanto em Jerusalém”, ou seja, ao mesmo tempo. Com isso o texto está dizendo que devemos evangelizar o mundo ao mesmo tempo em que evangelizamos os lugares mais próximos.

Antes que apareçam alguns “analfabetistas” da teologia com falsas interpretações e anti-missiologia, quero aqui, desde já, me incumbir da responsabilidade de interpretar um conhecidíssimo texto. Em Mateus 28:19,20 diz: “Portanto, ide e fazei com que todos os povos da terra se tornem discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a obedecer a tudo quanto vos tenho ordenado. E assim, EU estarei permanentemente convosco, até o fim dos tempos”. (KJV).

A palavra “ide” no grego não é um verbo no imperativo (nesse versículo), mas um particípio significando “indo”, ou “enquanto estejam indo”. O mesmo termo no hebraico usado pelos judeus messiânicos tem o sentido de “forma de viver”. Ou seja, a missão tem de ser vista como a razão da Igreja, a filosofia de vida dos cristãos. E não essa visão missionária manipulada no meio do povo de Deus.

As palavras “batizando” e “ensinando” também são particípios. Mas “fazei discípulos” é um verbo no imperativo, que na língua grega é uma única ordem: “discipulem”. A expressão “todas as nações”, no grego é πάντα τὰ ἔθνη = pants tá ethne, que abrange desde países á grupos de povos, “povos étnicos”.

Que possamos entender nosso verdadeiro chamado como Igreja, e seja onde estivermos não nos fixemos apenas na visão localista, negligenciando a essência do apostolado (do grego “enviado”). Mas vamos nos despertar para a realidade da Obra Missionária. Para isso, tenhamos um momento de reflexão na nas palavras de Charles Spurgeon (1834-1892) quando disse: “Todo cristão ou é um missionário ou um impostor”.

Autor: Alex Belmonte

Bacharel em Teologia (MEC) e Mestrado, Doutor em Ciências das Religiões, Pós graduado em Apologética Cristã, pós graduando em Psicanálise Clínica e professor de História Eclesiástica.

CRB INFORMÁTICA - Hospedagem de Sites R$ 25,00 por mês

Sobre Ministério Heresia Tô Fora!

Ministério Heresia Tô Fora!
O ministério Heresia Tô Fora, no inicio era uma coluna no jornal O Resgate, mas as dúvidas enviadas pelo e-mail foram tantas que senti a necessidade de criar um site e um centro de estudos que funciona desde 1994, nosso ministério é paraeclesiástico e interdenominacional que promove a fé cristã mediante a produção de pesquisas e informações religiosas. Nossos objetivos são informar, ensinar e equipar os cristãos sobre as verdades do cristianismo bíblico. Visa atender à igreja em suas necessidades, oferecendo uma parceria qualificada na área da Apologética Cristã.
CRB INFORMÁTICA - Hospedagem de Sites R$ 8.00 por mês